Quem é Augusto Cury? O Psiquiatra Que Quer Curar o Brasil
Quem é Augusto Cury, o psiquiatra best-seller que virou pré-candidato à Presidência em 2026? Trajetória, propostas e patrimônio do candidato do Avante.

Ele já vendeu mais de 40 milhões de livros. Está publicado em mais de 70 países. Escreveu sobre ansiedade, sobre o medo, sobre os limites da mente humana — e um dos seus livros virou filme, produzido pela Warner Bros.
Por décadas, ele tratou pacientes um a um. Um consultório, uma mente, uma crise de cada vez.
Mas em 2026, esse homem decidiu que não bastava mais tratar indivíduos.
Ele quer tratar um país inteiro.
E o diagnóstico que ele dá do Brasil não é econômico, não é ideológico — é clínico. Ele diz, com todas as letras, que o Brasil está doente.
A pergunta que fica é simples, e ao mesmo tempo perturbadora: o que um psiquiatra enxerga num país que os políticos, os economistas e os analistas não conseguem ver?
Quem é Augusto Cury?
Para entender essa resposta, é preciso voltar um pouco.
Augusto Cury nasceu em Colina, no interior de São Paulo. Formou-se em medicina, especializou-se em psiquiatria, passou pela PUC de São Paulo — e, em algum momento, descobriu que sua ferramenta mais poderosa não seria o consultório, mas a palavra escrita.
Os livros vieram em sequência. “O Vendedor de Sonhos”. A saga sobre nunca desistir dos próprios sonhos. Obras sobre inteligência emocional, sobre os limites da ansiedade na era da informação. Ele se tornou, segundo seus próprios números, o psiquiatra mais lido do planeta.
Por mais de trinta anos, o trabalho dele foi decifrar a mente por trás dos olhos de quem sofre em silêncio. Ansiedade. Medo do fracasso. A angústia de quem não consegue mais dormir à noite.
E foi observando esse sofrimento, multiplicado em milhões de leitores, que ele chegou a uma conclusão desconfortável: os sintomas que ele via nos pacientes — a raiva fácil, a incapacidade de ouvir o outro lado, o pensamento em preto e branco — não estavam mais restritos ao consultório.
Estavam no país inteiro.
Por que Augusto Cury decidiu virar candidato à Presidência?
E é aí que está a resposta para a pergunta que abriu esse texto.
O que Augusto Cury enxerga, que talvez ninguém mais estivesse enxergando daquele jeito, é isso: ele não olha para o Brasil como um problema de esquerda contra direita, de Lula contra Bolsonaro, de um partido contra outro.
Ele olha para o Brasil como olharia para um paciente.
E o diagnóstico que ele dá, em suas próprias palavras, é direto: “O Brasil está dramaticamente doente, polarizado, radicalizado.”
Não é discurso de campanha. É, segundo ele, um laudo.
E foi esse laudo que o levou a fazer algo que nenhum dos seus 40 milhões de livros vendidos sugeriria: se candidatar à Presidência da República.
Augusto Cury é candidato a presidente por qual partido?
Em 2026, o Avante anunciou a pré-candidatura de Augusto Cury ao Planalto. Sua primeira campanha política. Ao lado dele, como vice, o ex-deputado federal Júlio Delgado.
Mas o mais interessante não é que ele se candidatou. É como ele decidiu se posicionar.
Enquanto o país inteiro parece dividido entre dois nomes — Lula, representando o campo da esquerda, e Flávio Bolsonaro, representando o campo da direita — Cury recusa os dois rótulos. Ele não diz que é de esquerda. Não diz que é de direita.
Ele diz que é de centro.
E resume sua proposta numa frase que soa quase como um resumo clínico: “Eu sou de centro. Sou mente capitalista e com um coração que cuida dos desvalidos.”
Um psiquiatra, tratando o país como trataria um paciente dividido entre dois extremos — tentando encontrar, entre a razão fria do mercado e a compaixão pelos mais vulneráveis, um ponto de equilíbrio.
É um diagnóstico elegante. A pergunta é: existe um tratamento à altura dele?
Quais são as propostas de Augusto Cury?
As propostas de Cury seguem a lógica de quem passou a vida tratando estruturas doentes.
Ele quer mudar a forma como os ministros do Supremo Tribunal Federal são escolhidos. Quer migrar o Brasil do presidencialismo puro para um sistema semipresidencialista, com um primeiro-ministro dividindo o poder. E, coerente com sua trajetória, quer colocar a saúde mental e a reforma da educação como políticas de Estado — não como promessas de rodapé.
Ele também não hesita em elogiar nomes ligados ao mercado — chegou a dizer que o Brasil se beneficiaria de “um ministro da Fazenda como Paulo Guedes”. E, ao mesmo tempo, critica publicamente discursos de segurança pública mais duros, chamando a frase “bandido bom é bandido morto” de algo raso, de pensamento simplista demais para um problema complexo.
Mente capitalista. Coração social. Um pé em cada lado — na teoria.
Qual é o patrimônio de Augusto Cury?
Mas há um número que complica essa narrativa.
Cury declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de 242 milhões de reais. Nele, 17 fazendas.
E aqui está o ponto que qualquer bom investigador levantaria: é possível ser, ao mesmo tempo, o médico que cuida dos desvalidos e o dono de um patrimônio dessa magnitude? A contradição é real, ou é só a lógica normal de quem construiu um império editorial ao longo de décadas?
Não existe resposta fácil. E talvez seja exatamente por isso que essa candidatura desperta tanta curiosidade: ela não se encaixa perfeitamente em nenhuma caixinha — nem a do político tradicional, nem a do outsider pobre e revoltado, nem a do empresário puramente liberal.
O que esperar da candidatura de Augusto Cury?
No fim, talvez a candidatura de Augusto Cury não deva ser julgada apenas pelo que ele promete entregar como presidente.
Talvez ela deva ser lida como aquilo que ele sempre soube fazer melhor: um diagnóstico.
Um espelho colocado na frente de um país que, segundo ele, parou de conseguir ouvir o lado oposto. Um país que trocou o debate pela raiva, e a complexidade pelo grito.
Resta saber se um psiquiatra — acostumado a tratar uma mente de cada vez, num consultório fechado, com tempo e silêncio — consegue aplicar o mesmo método a duzentos milhões de pessoas, em praça pública, sob a pressão de uma eleição.
A pergunta, no fundo, não é mais sobre ele.
É sobre nós. Estamos dispostos a ouvir um diagnóstico — mesmo quando ele incomoda?
Perguntas frequentes
Quem é Augusto Cury?
Augusto Cury é médico psiquiatra brasileiro, nascido em Colina (SP). É autor de best-sellers como "O Vendedor de Sonhos" e é considerado um dos psiquiatras mais lidos do mundo, com mais de 40 milhões de livros vendidos em mais de 70 países. Em 2026, tornou-se pré-candidato à Presidência da República pelo Avante, tendo Júlio Delgado como vice.
Augusto Cury é de qual partido?
Augusto Cury é pré-candidato à Presidência pelo Avante nas eleições de 2026, com o ex-deputado federal Júlio Delgado como candidato a vice.
Qual é o patrimônio de Augusto Cury?
Augusto Cury declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de 242 milhões de reais, que inclui 17 fazendas — o maior patrimônio declarado entre os presidenciáveis de 2026.
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